A Companhia Pernambucana de Saneamento – Compesa – iniciou, no último domingo (23), a fase de testes da obra de interligação das adutoras do Agreste e de Jucazinho, em Caruaru, para garantir o abastecimento de água para as 14 cidades atendidas pelo Sistema Jucazinho. Esta foi uma das obras idealizadas pelos técnicos da empresa, que foram finalizadas no sábado (22), para o enfrentamento da crise hídrica decorrente do estágio de pré-colapso da Barragem de Jucazinho, localizada em Surubim. O reservatório, que é o maior do Agreste, se encontra hoje com 3,8% da sua capacidade total.
A partir da integração das duas adutoras à Estação de Tratamento de Água (ETA) Salgado, a cidade de Caruaru, com cerca de 400 mil habitantes, não dependerá mais do Sistema Jucazinho, que contribui há décadas com uma produção de 400 litros por segundo (l/s) de água para o município. As alternativas encontradas permitirão aumentar a produção de água da Adutora do Agreste para Caruaru em 400 l/s, triplicando a atual vazão da água da Transposição do Rio São Francisco para a cidade, que passará de 200 para 600 l/s. A expectativa é que a fase de testes dure 15 dias, quando a população já sentirá os efeitos dessa iniciativa. Com a retirada de Caruaru do Sistema Jucazinho, a água existente na barragem será destinada exclusivamente às outras 13 cidades assistidas por esse sistema (Tramos Norte e Sul de Jucazinho).
Segundo o presidente da Compesa, Alex Campos, graças a essas ações, também será possível, em caso do colapso de Jucazinho, transpor a água da Adutora do Agreste para o Sistema Jucazinho por meio da inversão do fluxo de água da adutora desse sistema. “Em vez de Caruaru receber água de Jucazinho, este sistema passaria a ter água da Adutora do Agreste, a partir da Capital do Agreste, ou seja, o contrário do que ocorre atualmente”, explicou. Outra vantagem desse conjunto de medidas é a flexibilidade operacional que a Compesa terá para o manejo das águas do Velho Chico à medida que as dificuldades hídricas se apresentem.
Essa complexa solução de engenharia foi possível graças aos esforços dos técnicos da companhia, que, ainda de acordo com Alex Campos, se debruçaram em estudos para encontrar soluções a fim de evitar o colapso do abastecimento em várias cidades do Agreste. “Em tempo recorde, em dois meses, o nosso time caiu em campo e conseguiu concluir a integração das duas adutoras e, assim, garantir o fornecimento de água para as cidades atendidas pelo Sistema Jucazinho, não apenas nesse momento de estiagem, mas para o futuro. Com chuva ou com sol, a população dessa região não será mais penalizada pela escassez hídrica nessa barragem”, pontua o presidente da estatal. O gestor da Compesa também ressaltou o esforço da governadora Raquel Lyra, que, de imediato, autorizou o investimento de R$ 4,4 milhões para que as intervenções planejadas pela companhia fossem imediatamente executadas.
Além da integração das adutoras do Agreste e de Jucazinho, a Compesa executou outra obra importante em Caruaru. Foi construída uma nova adutora de 3 km de extensão, que sai da ETA Petrópolis e segue até o Reservatório do Santa Rosa. Essa nova rede de abastecimento vai substituir a antiga, que era alimentada por Jucazinho, e passará a receber água da ETA Petrópolis. Serão beneficiadas 40 mil pessoas que vivem nos bairros Santa Rosa, Vassoural, Indianópolis, Inocoop e José Liberato. “Sem essa ação, essa população ficaria desabastecida por causa da crise de água na barragem de Jucazinho”, explica o titular da Compesa, Alex Campos. A ETA Petrópolis também passou por melhorias, com aquisição e instalação de conjuntos motobomba reservas para garantir a segurança operacional do bombeamento, através da nova adutora. Com isso, será possível manter o calendário de 6 dias com água e 6 sem em Caruaru. Nos bairros Santa Rosa, Vassoural, Indianópolis, Inocoop e José Liberato, a previsão é que o abastecimento seja diário.
“A ampliação da produção de água por meio da Adutora do Agreste é uma grande entrega para Caruaru e as demais cidades que recebem água do complexo Jucazinho, em atendimento às diretrizes estabelecidas pela governadora Raquel Lyra, que é levar mais água para os pernambucanos, a partir do desenvolvimento de soluções técnicas e operacionais que se destinem a solucionar a histórica crise de água no estado, em especial no Agreste, região que detém o pior balanço hídrico do país”, complementou Alex Campos.
Os municípios que integram o Tramo Norte do Sistema Jucazinho são: Surubim, Salgadinho, Casinhas, Frei Miguelinho, Santa Maria do Cambucá, Vertentes, Vertente do Lério e Toritama. Já o Tramo Sul é formado pelas cidades de Cumaru, Passira, Riacho das Almas, Bezerros, Gravatá e Caruaru, que a partir de agora deixa de contar com a água deste sistema. Com essas ações, serão beneficiadas 850 mil pessoas que vivem nessas cidades.
Da ASCOM
Postado por Madalena França