Do Blog do Magno Martins
Postado por Madalena França
Por Lara Cavalcanti*
Na política, mudar de rumo faz parte do jogo. Mas em Petrolina, essa mudança chamou atenção pela velocidade. Após o afastamento do projeto de João Campos e do PSB, o grupo que está no poder na cidade anunciou apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD). Do ponto de vista estratégico, a decisão é compreensível. Nenhum grupo político quer ficar isolado.
O que causa estranheza não é a aliança, mas a mudança repentina de discurso. Até poucos dias, o tom era de forte oposição. Havia críticas constantes ao abandono do Sertão, à insegurança, às estradas em más condições e aos problemas da Compesa. Essas críticas eram frequentes nas redes sociais e no rádio, sempre direcionadas de forma clara à governadora.
Agora, o discurso mudou completamente. A mesma gestão que era alvo de críticas passou a ser elogiada. A governadora passou a ser apresentada como presente, comprometida e eficiente. Mudar de posição é legítimo na política. O problema é agir como se o que foi dito antes não tivesse existido. Esse tipo de comportamento subestima a inteligência da população.
Como explicar uma mudança tão rápida sem afetar a própria credibilidade?
A política permite novos caminhos, mas exige respeito aos fatos. Tentar apagar o passado recente cria uma imagem de conveniência que não contribui para a confiança das pessoas. O apoio pode até trazer ganhos políticos, mas a incoerência no discurso enfraquece a credibilidade.
Para quem observa, a mensagem é clara: em poucos dias, o que era criticado passa a ser defendido. É justamente esse tipo de prática que afasta as pessoas da política. A política que defendemos precisa ser mais coerente, mais transparente e, acima de tudo, mais respeitosa com a população.
*Jornalista, vice-presidente do PL Mulher Pernambuco e presidente do PL Mulher Petrolina
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