“Defunta” põe abaixo coronelismo em Calumbi
Aos 52 anos, Sandra Magalhães, que ganhou o codinome de “Sandra da Farmácia”, por ser proprietária de um estabelecimento de comercialização de remédios na cidade, enfrentou problemas de saúde ao longo dos 45 dias de campanha e teve que implantar, em caráter emergência, três pontes de safena. A cirurgia foi feita num hospital do Recife, mas como ela demorou a regressar por recomendação médica, o grupo do prefeito Erivaldo José da Silva (PSB), mais conhecido como Joelson, infernizou a cabeça do eleitorado com a notícia de que ela morrera.
Sandra só reapareceu “vivinha da silva” faltando 15 dias para a eleição. Na prática, quase não fez campanha de rua. Enquanto esteve ausente foi substituída pelo marido, o ex-vereador Arnaldo da Emater. “Eu tive que ir de casa em casa para explicar às pessoas que Sandra estava viva, bem de saúde e que logo voltaria para os braços do povo”, disse Arnaldo. Para ele, quanto mais os adversários espalhavam a versão da morte da sua esposa mais crescia o desejo do povo de votar nela.
Em meio às especulações sobre o estado de sua saúde, Sandra teve que gravar um vídeo, ainda na UTI em recuperação, para ser mostrado nos comícios que havia se submetido à cirurgia de forma bem-sucedida e logo voltaria para continuar sua campanha. Na chegada, faltando 15 dias para o pleito, seus aliados organizaram uma carreata para recebê-la na cidade com uma grande festa. “Fiz uma campanha na reta final muito discreta e temerosa, indo, inclusive, para o comício de encerramento”, lembra a petista.
Agora, já plenamente recuperada, Sandra desaba: “Para mim, foi uma sensação muito estranha estando viva sendo tratada como morta no meu município”, relatou. Nas urnas, apesar de todas as crueldades, a adversária Aline Cordeiro, filha do atual vice-prefeito João Mocó, uma das principais lideranças ligadas ao prefeito, levou a pior, amargando uma das maiores derrotas já sofridas pelo grupo.
Na totalização dos votos, Sandra obteve 2.829 votos contra 2.231 (43,32%) da candidata da situação, correspondente a 54.93% dos votos válidos. Arnaldo Moura, do PRB, teve apenas 90 votos. Brancos somaram 81 e 271 eleitores optaram por anular o voto. A abstenção, que geralmente é muito alta, se manteve em 19,8%.
O que a motivou a entrar na disputa, mesmo doente, foi Simões, a voz mais aguerrida da oposição, e a situação de abandono em que a cidade se encontra. “Aqui, os aposentados estão há oito meses sem receber seus vencimentos, os servidores da Prefeitura em geral há dois meses. A saúde está sucateada, com um hospital desestruturado, sem médico, sem ambulância e sem remédio”, diz Sandra, para quem seu maior cabo eleitoral foi o desgaste do prefeito.
Apesar de petista histórica, Sandra admite que não usou o partido, desgastado em nível nacional, como bandeira em sua campanha. “O tom da campanha foi municipalizado, mas aqui Lula e Dilma ainda reinam absolutos e eu não tive problemas por ser do PT”, afirmou. Diferente de outros municípios sertanejos, que não abrem espaços na política para a mulher, com a eleição de Sandra o município mantém a tradição de ter uma saia à frente do poder. É a quarta prefeita a ser eleita, sequenciando Alice Lima, Maria de Lourdes e Jozenice Alves. Por Magno Martins
Sem comentários:
Enviar um comentário